Tanta coisa e Beauvoir



Uma coisa de cada vez, repitam comigo! Não , não é fácil.  Esses dias assisti um doc no Curta! sobre a Simone de Beauvoir, filósofa e feminista, autora dos livros " O segundo Sexo"  e "A força das Coisas", entre outros. Em determinado momento, ela diz que ao se casar e se tornar mãe, fica mais difícil para a mulher investir nas possibilidades do seu ser transcendente, ou, dizendo de outro modo, fica mais fácil se lançar aos papéis socialmente predeterminados a elas e ali ficar.



Não é que a gente não queira focar no ser, mas são tantas, tantas coisas impostas à mulher, que fica realmente difícil fazer tudo e ainda achar a expressão transcendente do eu, rs.  O cuidado com os filhos é um trabalho tão grande, tão exaustivo e tão complexo ( além de duradouro), que é absolutamente compreensível que a Igreja use os filhos como forma de manutenção do papel da mulher como oprimida. Hoje me parece excessivamente absurda a divisão de tarefas domesticas como está, tudo sempre em cima e de responsabilidade da mulher, mas nem sempre questionei isso. Sei que muita gente não questiona. Não é papel da mulher criar os filhos que vão continuar a espécie toda.  Os homens , parte da sociedade e da cultura, precisam  dar a sua contribuição em trabalho. E, é claro, eles não vão mudar sem luta. Não vão sair do seu lugar de privilégios sem um empurrão das interessadas: as mulheres.

Hoje numa aula de Ensino Médio tentei desnaturalizar os papéis de gênero. Percebo que há muito a fazer. Quantas meninas ainda vão sofrer com escolhas erradas pautadas em exemplos dados por uma sociedade machista?  Quantas vão aceitar o que é imposto a seus corpos e mentes? Por quanto tempo? 

A internet está cheia de falas, dos lugares femininos, pela legalização do aborto, que ainda não é um fato no Brasil. Muito é preciso fazer pra se entender que a criminalização do aborto é uma forma de controle do corpo feminino. Pautada pela igreja, pela moral. Nada ética. Completamente intencional.




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