Em algum lugar

Por onde é que andarás?





Onde estiver, só espero que não possa ver como é que eu tenho lidado tão mal com isso tudo. Eu tenho uma certa vergonha. De você ver que eu simplesmente não to lidando bem e nem mantendo a fé. De você ver daí, da onde você está que tudo que eu posso, que eu consigo fazer, é chutar o balde e sobreviver. Nada daquilo que a gente acreditava juntas parece ter eco agora. Esperança é tudo o que eu não tenho nesse momento. Raiva é tudo o que eu tenho nesse momento. Eu que costumava ser  a pessoa de fé da família. Agora falto ao trabalho, arrumo o guarda roupa por ordem de cor, bebo vinho ou chá e danço enquanto choro e ouço musica triste. E quando parece que tudo está melhor, alguém fala de você, e aí eu falto de novo ao trabalho e ouço jazz, vou ao mercado a pé , volto  limpo a casa, lavo roupa e faço sopa. Como se nada no mundo dependesse de mim. Acho que a minha usual fé faz tudo ficar ainda mais difícil. Esses dias um amigo me mandou uma musiquinha "Here comes the sun" e eu chorei mais ainda. Pela amizade de aceitar que eu to vivendo a minha noite e que isso é normal, um dia o sol vem, não agora, mas vem. E ele dividia a fé comigo. Agora não consigo acreditar. A minha dor aumenta quando eu penso em tantas e tantas mortes todos os dias por aí. Algumas pessoas morrem de fome. A gente tinha comida até o último minuto. Outras morrem com bala perdida. Outras são crianças que nem viveram a vida ainda. Saco. Dificil acreditar em justiça divina ou em um deus que é amor. Só acho. De qualquer forma, se ele existe e é justo e bom e infinitamente amoroso como dizem, creio que ele vai entender o meu ateísmo. E me perdoar. Por que se não. Se ele não for -justo e -bom  e - amoroso, então pra que? Pra que acreditar? Prefiro não.
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