Da janela lateral.



 
Bem diferente dos telhados das casas operárias de onde passei a minha primeira infância.
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Gosto muito da pintura paulistana da década de 30 e 40.
Os artistas do Grupo Santa Helena, por exemplo,  sempre tiveram um apelo forte para minha alma. 
 Mais forte ( muito mais) do que os badalados modernistas da primeira geração. 
Agora, muito tempo depois, mais adulta, mais estudada, entendo que eu não vivi em fazendas como a Tarsila, minha visão diária quando olhava pelo terraço da minha casa no Tatuapé era a de um tipo de colcha de retalho  feita de telhados. 
Adorava ( nessa época tinha , no máximo, oito anos) ficar debruçada no  parapeito grosso de cimento caiado de amarelo, enquanto me intrigava com a diferença de altura dos telhados que formavam um grande jogo de triângulos desencontrados. Também tinha uma visão privilegiada dos quintais. Alguns ainda tinham abacateiros, outros umas galinhas, via os bebês serem colocados para tomar sol e me esgueirava ao máximo para tentar entender como eram as casas dos vizinhos através das janelas.
Tudo isso do meu bairro operário é muito bem representado pelo grupo de Artistas do Santa Helena (Também conhecidos como artistas operários), e quando cresci e comecei a me interessar por Arte, de certa forma, mesmo sem saber, acho que me senti representada junto...Tudo bem que eu nasci bem depois da década de 40, mas minhas construções eram as mesmas, morávamos em casas de pelo menos 30 anos construidas à mão pelos próprios imigrantes. A Arte, enfim, é uma questão de identidade.Da que você tem ou da que você quer conhecer.                                                                             ***

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